Oh! Que Delícia de Patrão
Brasil (1974)
Direção: Alberto Pirealisi
Elenco: Jorge Doria, Carlo Mossy, Marta Moyano, Zezé Macedo,
Geórgia Quental e Sônia de Paula
Para a nossa felicidade existe um negócio chamado Canal
Brasil. Este TV-Rip que comento é inédito em DVD. Foi exibido no começo deste
ano e já deve ter sido reprisado.
Rodado em 1974, finzinho do sonho hippie que aqui no Brasil
reverberou em camadas e meio de qualquer jeito, a desopilante comédia “Oh Que
Delícia de Patrão” é uma daquelas pepitas que ainda merece maior atenção por
parte da “crítica especializada”.
Dividido em dois episódios, o filme traz todos os clichês
deste maravilhoso estilo das comédias setentistas. Provavelmente foi exibido no
extinto e saudoso “Sala Especial”.
“As Loucuras do Patrão” conta a história do Dr.Felipe (Jorge
Dória em atuação magistral) fazendo amor com sua secretária (Marta Moyano, falo
mais dela lá embaixo), quando fica com o corpo todo paralisado. Marta, a
secretária, liga para o irmão (Carlo Mossy, presença obrigatória neste tipo de
comédia) e juntos procuram uma solução para o caso. Uma empresa estrangeira vai
chegar em poucos dias para assinar um importante contrato e o patrão está “todo
duro”. Assim lá vai o Mossy peregrinar pelas ruas, num Opala amarelo, a fim de
achar um sósia que aceite o papel temporário de impostor.
Acham um mecânico tosco (o próprio Jorge Dória em atuação
dupla) e obrigam o coitado a aceitar a trama. Obrigam o infeliz a tomar umas
aulas de etiqueta: smoking, restaurante chique, boate e até o “Love’s Theme” do
Barry White surge na trilha. O Jorge Dória é um trabalhador humilde e não entende o porque de todos os
mimos. Claro que tudo vai se encaminhando para uma grande confusão.
Como o patrão continua imóvel, a Marta vai fazer “uma
massagem” no enrijecido chefe, para ver se ele volta ao estado normal , e é
repreendido pelo irmão que diz que as massagens dela “não amolecem nada”. Só
estes diálogos já valem o filme. Mas tem mais:
- O sósia-mecânico cansado em ter que vestir terno, sapato
apertado e gravata (tudo para a tal reunião de negócios), aproveita a distração
de todos e foge da mansão do patrão doente. Neste momento, três colegas de oficina aparecem balançando um bilhete e aos
berros gritam que ele acertou sozinho os treze pontos na loteca (lembram disso
?). Agora o mecânico é o mais novo milionário do país.
Com a notícia o Jorge Dória tira toda a roupa, fica só de cueca e manda aquele gesto da banana
para os confusos ex-patrões. Começa a tocar a música “Echoes” do Pink Floyd e
na tela surge a palavra fim. Uma proeza !
O segundo epísódio, “Um Brinde ao Patrão”, traz o mesmo
elenco do primeiro além da Zezé Macedo, Geórgia Quental e Sônia de Paula. Agora
o Jorge Dória é o dono de uma revendedora de automóveis que morre de medo de
sua esposa dominadora, ciumenta e meio louca. O que ele não sabe é que sua
mulher está lhe traindo com seu melhor funcionário (Carlo Mossy com aquelas
costeletas anos 1970).
Como o Dória não agüenta mais tanta confusão com a esposa, e
já estava meio sufocado com tanta frescura, resolve não ser mais capacho da
mulher e parte para o revide. Arquiteta uma inédita e mal ensaiada “traição”. O alvo não poderia ser melhor: a
atriz argentina Marta Moyano (não sabia desta ponte Brasil-Argentina no ramo da
comédia...), loiríssima, na época com 23 anos, nariz arrebitado, magrinha, um
espetáculo!
Bem, durante a tentaiva de sedução, o velho patrão convence a gata a largar o antigo emprego
para transforma-la na sua nova secretária. Ela vai, se envolve com o Mossy e
desperta a fúria da mulher do chefe. Rola uns desencontros , cenas impagáveis
de flagrante, nudez rápida, perseguições automobilísticas e tome, mais humor
escrachado. Costurando tudo isso temos um Jorge Dória dirigindo uma Brasília
vermelha, externas com o calçadão de Ipanema , mais Pink Floyd na trilha (o
filme é 1974, “Dark Side of The Moon” era a bola da vez). Mas o que importa
mesmo é a Marta Moyano de calça boca-de-sino não nos deixando nem piscar.
Sacou ? Um barato bicho !
***Bom
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