O Horóscopo do Fonseca
Fonseca fingiu e preferiu não dar muita importância ao horóscopo que alertava:“dia perigoso e com risco de acidentes para os arianos”.
- Besteira! ralhou para as paredes.
- Que profecia mais boba !
Fonseca estava longe de ser um sujeito supersticioso, mas aquilo mexeu de alguma forma com ele. Tratou de sair de casa. Era domingo, ruas estavam desertas, comércio e bares fechados. Tudo muito calmo, até seu cão naquele dia não veio latir desejando um boa dia.
Fonseca destoava dessa quietude toda. Estava incomodado, nervoso, não sabia bem o motivo.
Decidiu dirigir um pouco. Na primeira esquina avistou o Ernesto, vizinho do qual nunca simpatizou. Irritado, acelerou e com a manobra percebeu a luz do radar piscando. Teve certeza de que fora multado e mandou o Detran, o prefeito e o mundo ir tomar lá naquele lugar...
Não notou que estava em alta velocidade numa rua muito estreita e teve de frear bruscamente quando outro carro surgiu vindo sabe se lá de onde.
- Ô barbeiro ! Vai tomar no... Continuou pisando sem dó no acelerador cada vez mais revoltado com o mundo, com as pessoas, com o cachorro sonolento e com tudo que estivesse ao seu redor.
Sentiu a dor de cabeça que as vezes atacava sem muita explicação, desta vez veio diferente e ele precisava do remédio e logo. Decidiu ir até a drogaria do supermercado que ficava a poucos minutos de onde estava. Na embalada desenfreada, atropelou um cachorro, raspou o carro de leve num ônibus e não respondeu ao aceno de um conhecido na calçada. Acordava toda cidade com o barulho provocado
pelas aceleradas irracionais.
A dor de cabeça aumentava e a raiva do Fonseca também.
Passou um farol vermelho. Necessitava chegar logo ao local.
Entrou. Estacionou. Desligou o carro. Foi alertado que não poderia parar naquela vaga reservada para idosos. Deixou o rapaz do estacionamento falando sozinho. Quase trombou com a moça da recepção e irrefreável, foi marchando rumo a drogaria interna do local.
Uma mão tocou-lhe o ombro.
- Senhor... era o rapaz do estacionamento.
- Estou com pressa depois falo com você ! respondeu Fonseca
de forma ininteligível quase um grunhido. Continuou andando, entrou na farmácia e pediu o analgésico.
A dor aumentava, a visão embaçava e Fonseca cambaleava. A poucos metros o rapaz do estacionamento assistia tudo. Impávido e atento.
Quem também observava era a farmacêutica, que não demorou a oferecer o remédio engolido com voracidade pelo Fonseca já em estado febril.
Em poucos minutos ele se restabeleceu, ficou com a postura ereta, abotoou uma casa da camisa, acertou o penteado com as mãos, levantou a cabeça e olhou ao redor.
Todos os clientes o encaravam com curiosidade zoológica. Sentiu-se envergonhado. Viu que o rapaz do estacionamento cochichava com uma cliente e olhava com reprovação para ele. Precisava sair dali o mais rápido possível e escolheu o caixa com menor fila.
Foi impedido desta vez pelo gerente escoltado pelo rapaz do estacionamento:
- Senhor, este caixa é exclusivo para gestantes, idosos e portadores de deficiência !
Fonseca esperou alguns segundos, olhou para a dupla que o repreendia, para os clientes da loja, para a multidão que o cercava, para a moça do caixa, para a estante com revistas onde pode ler, de relance, a capa de uma delas: “Os astros revelam seu futuro”... Fonseca não se conteve, com os olhos injetados e leve baba escorrendo pelo canto da boca explodiu:
- Mas quem disse que não sou deficiente ?
- Eu sou louco ! looouco !looouco ! loou...
Só parou com a chegada dos enfermeiros.
- Besteira! ralhou para as paredes.
- Que profecia mais boba !
Fonseca estava longe de ser um sujeito supersticioso, mas aquilo mexeu de alguma forma com ele. Tratou de sair de casa. Era domingo, ruas estavam desertas, comércio e bares fechados. Tudo muito calmo, até seu cão naquele dia não veio latir desejando um boa dia.
Fonseca destoava dessa quietude toda. Estava incomodado, nervoso, não sabia bem o motivo.
Decidiu dirigir um pouco. Na primeira esquina avistou o Ernesto, vizinho do qual nunca simpatizou. Irritado, acelerou e com a manobra percebeu a luz do radar piscando. Teve certeza de que fora multado e mandou o Detran, o prefeito e o mundo ir tomar lá naquele lugar...
Não notou que estava em alta velocidade numa rua muito estreita e teve de frear bruscamente quando outro carro surgiu vindo sabe se lá de onde.
- Ô barbeiro ! Vai tomar no... Continuou pisando sem dó no acelerador cada vez mais revoltado com o mundo, com as pessoas, com o cachorro sonolento e com tudo que estivesse ao seu redor.
Sentiu a dor de cabeça que as vezes atacava sem muita explicação, desta vez veio diferente e ele precisava do remédio e logo. Decidiu ir até a drogaria do supermercado que ficava a poucos minutos de onde estava. Na embalada desenfreada, atropelou um cachorro, raspou o carro de leve num ônibus e não respondeu ao aceno de um conhecido na calçada. Acordava toda cidade com o barulho provocado
pelas aceleradas irracionais.
A dor de cabeça aumentava e a raiva do Fonseca também.
Passou um farol vermelho. Necessitava chegar logo ao local.
Entrou. Estacionou. Desligou o carro. Foi alertado que não poderia parar naquela vaga reservada para idosos. Deixou o rapaz do estacionamento falando sozinho. Quase trombou com a moça da recepção e irrefreável, foi marchando rumo a drogaria interna do local.
Uma mão tocou-lhe o ombro.
- Senhor... era o rapaz do estacionamento.
- Estou com pressa depois falo com você ! respondeu Fonseca
de forma ininteligível quase um grunhido. Continuou andando, entrou na farmácia e pediu o analgésico.
A dor aumentava, a visão embaçava e Fonseca cambaleava. A poucos metros o rapaz do estacionamento assistia tudo. Impávido e atento.
Quem também observava era a farmacêutica, que não demorou a oferecer o remédio engolido com voracidade pelo Fonseca já em estado febril.
Em poucos minutos ele se restabeleceu, ficou com a postura ereta, abotoou uma casa da camisa, acertou o penteado com as mãos, levantou a cabeça e olhou ao redor.
Todos os clientes o encaravam com curiosidade zoológica. Sentiu-se envergonhado. Viu que o rapaz do estacionamento cochichava com uma cliente e olhava com reprovação para ele. Precisava sair dali o mais rápido possível e escolheu o caixa com menor fila.
Foi impedido desta vez pelo gerente escoltado pelo rapaz do estacionamento:
- Senhor, este caixa é exclusivo para gestantes, idosos e portadores de deficiência !
Fonseca esperou alguns segundos, olhou para a dupla que o repreendia, para os clientes da loja, para a multidão que o cercava, para a moça do caixa, para a estante com revistas onde pode ler, de relance, a capa de uma delas: “Os astros revelam seu futuro”... Fonseca não se conteve, com os olhos injetados e leve baba escorrendo pelo canto da boca explodiu:
- Mas quem disse que não sou deficiente ?
- Eu sou louco ! looouco !looouco ! loou...
Só parou com a chegada dos enfermeiros.
Alexandre Pereira
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