Fest Comix 2010 ou Um sábado na Nerdlândia
A manhã estava bonita. O amigo chegou na hora combinada. O
rádio do carro tocava um muzak
qualquer (que logo daria lugar para as últimas notícias da Eldorado FM). Talvez
alertado por alguma dica de trânsito, meu chapa prudentemente evitou a Av. do
Estado optando por um caminho alternativo via São Caetano; por sorte a estranha ausência de carros naquela manhã de
sábado também ajudou. Quando mal nos
demos conta já estávamos na Av. Paulista e estacionamos sem maiores
dificuldades. A visão da fila serpenteando
a calçada nos fez optar primeiro por uma parada na padaria da esquina para o
providencial café expresso duplo que sem o qual não teria sido possível
enfrentar a maratona da compra do ingresso.
Mal passamos a catraca e já avistei o estande dos quadrinhos
independentes mas desta vez meu colega
José Salles não estava por lá. Vendo alguns lançamentos me surpreendi com umas
coletâneas brazucas com a presença do Zé Colméia (o fanzineiro, não o personagem
do desenho animado). De lá,uma pausa longa para um estande que queimava HQs por
0,99 e 1,99 onde incrivelmente haviam Mickeys da década de 1970 e uns
Almanaques Disneys rarões. Devir, Zarabatana e uns capas duras da Meriberica
por 10 paus.
Meu amigo se encantou com uma banca que vendia réplicas de
batmóveis, lanchas de super-heróis, aviõezinhos e outras coisas que deveriam
ser “de criança”. Ele se defendeu dizendo que não eram bonequinhos, mas sim
“action figures” o que mudava tudo. Então tá bom. Ele arrematou o submarino (em
miniatura) da série “Viagem ao Fundo do Mar”, no momento em que chegava uma galera vindo não sei de que profundezas
deste país afora. Com certeza eram
turistas pois chegaram na feira com malas de viagem.
Como chegamos meio cedo deu para escolher, pagar e liquidar
a fatura sem pegar filas muito grandes.
Saímos e aí fiquei assistindo o pessoal do Cosplay não sem
antes encontrar o Adriano (do Gibiteca 2004) tietando o criador do Tex e
obrigando-o a autografar uns fumetis para ele.
A esposa do meu amigo descobriu a “fuga” e veio nos
encontrar acompanhada da Andréia e do Mestre Jonas. Como eles demoraram um
pouco deu tempo de bater um papo com o Caveira Vermelha ,com a Lady P., com
a Vampira e a Ororo (que usava umas
lentes de contato que a deixava igualzinha à personagem dos X-Men).
Encontrei um estande com muitas pilotes, historietas e
quadrinhos italianos mas o cara veio com um papo de dólar-livro e conversão do
valor no câmbio do dia e eu achei a conversa muito Valor Econômico para um
sabadão daquele. Peguei apenas o e-mail e o site do sujeito, nunca se sabe…
Turma reunida deu tempo para
uma esticada na Livraria Cultura, na Fnac e no Filé do Morais. Na
calçada da Av. Paulista encontramos uma turma de cosplayers brincando de
enfrentar a polícia. A noite caiu e o retorno para casa foi sem maiores
tropeços.
Saldo da brincadeira: dois telefones de umas meninas, um
Batman importado de 500 pgs em PB, dois gibis do Bryan Talbot lançado pela
Pixel, um Gasparzinho vintage e mais uns baratinhos avulsos pois este ano a grana estava meio curta.
O legal foi ver uns pais de família regulando uns mangás
baratinhos para os filhos enquanto empilhavam uns gibis no queixo.
A azaração nerd também impressionou. Como não sou mais jovem
(estou mais para a famosa figura do “tiozinho”)
fico apenas acompanhando o papo da molecada que usa o Wolverine como desculpa para se aproximar
das lindinhas. Então o negócio é aprender com eles.
Esse universo lúdico é algo que merece um outro estudo (onde
está você Álvaro de Moya ?) desta vez confrontando loucura nerd, colecionismo
e o lado psicanalítico da coisa. De
certo apenas a constatação (antes era apenas
uma impressão) de que gibi é algo para todas as idades.
E você ? Já leu sua
HQ hoje ?
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