quarta-feira, 16 de abril de 2014

Suspiria
Itália (1977)
Direção: Dario Argento
Elenco: Jessica Harper (Suzy), Stefania Casini, Flavio Bucci, Miguel Bose e Bárbara Magnolfi
O filme mais vermelho que eu já assisti, e não estou me referindo a ideologia de comunistas e outros bichos. Vermelho no caso é a cor que transborda por todas as cenas deste jóia de giallo chamada “Suspiria”.
Giallo (amarelo em italiano), significa a cor que as pessoas ficam ao assistirem filmes de terror , amarelo de medo; também é conhecido como uma subdivisão do gênero que enfoca os filmes italianos originalmente relatando histórias de assassinatos, mistérios e suspense, muito em voga na Itália nos anos 1970.
No filme, Suzy (Jéssica Harper) é uma adolescente estrangeira que vem até a cidade medieval de Friburgo, na Alemanha, para se matricular em uma escola de balé. Ela chega no meio de uma tempestade e logo começa a música do grupo de rock progressivo Goblin a estourar nossos tímpanos, pois nossa amiguinha se perde, quase não consegue achar a localidade e quanto mais ela se desespera, mais o volume dos sintetizadores dos gênios do progressivo italiano vão aumentando. Só este início de filme eu já considero uma pérola e o grande momento da história dos filmes de terror, mas ainda tem muito mais...
Já foi dito que Dario Argento é um esteta e roda seus filmes como um pintor usa as cores para criar uma tela, sua parceria com o Goblin por exemplo retrata bem isso:

a banda compõe primeiro a música só com o script e sem as imagens rodadas, se for preciso o diretor encaixa então as imagens na trilha sonora. Nunca o contrário.
Após Suzy chegar à escola algumas alunas lhe relatam sobre práticas de bruxarias naquela instituição e, para confirmar isso, aos poucos alguns assassinatos vão ocorrendo. De clima sufocante, com explosão rubra por todo o lado, o efeito narcotizante de algumas cenas faz com que a gente até esqueça da trama e comece a prestar atenção nos detalhes do figurino e da arquitetura em prejuízo a historia contada.
Tempestades, trovões, garota correndo enlouquecida pela floresta, dão o tom de um filme meio barroco e de estética sensacional. Dario Argento, em entrevista sobre o filme, disse que o objetivo de “Suspiria” era mostrar histórias de bruxas filtradas pelos olhos inocentes de uma criança.
A bruxa no caso aparece bem pouco e pra ser sincero a trama é um pouco confusa. Mas a overdose climática a sensação a todo instante de que algo importante vai acontecer, os finais falsos e a atuação monumental da subestimada Jéssica Harper , mostra que estamos diante de uma sinfonia em forma de filme. Recomendadíssimo.
Bloody !

*****Ótimo

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