Suspiria
Itália (1977)
Direção: Dario Argento
Elenco: Jessica Harper (Suzy), Stefania Casini, Flavio
Bucci, Miguel Bose e Bárbara Magnolfi
O filme mais vermelho que eu já assisti, e não estou me
referindo a ideologia de comunistas e outros bichos. Vermelho no caso é a cor
que transborda por todas as cenas deste jóia de giallo chamada “Suspiria”.
Giallo (amarelo em italiano), significa a cor que as pessoas
ficam ao assistirem filmes de terror , amarelo de medo; também é conhecido como
uma subdivisão do gênero que enfoca os filmes italianos originalmente relatando
histórias de assassinatos, mistérios e suspense, muito em voga na Itália nos anos
1970.
No filme, Suzy (Jéssica Harper) é uma adolescente
estrangeira que vem até a cidade medieval de Friburgo, na Alemanha, para se
matricular em uma escola de balé. Ela chega no meio de uma tempestade e logo
começa a música do grupo de rock progressivo Goblin a estourar nossos tímpanos,
pois nossa amiguinha se perde, quase não consegue achar a localidade e quanto
mais ela se desespera, mais o volume dos sintetizadores dos gênios do
progressivo italiano vão aumentando. Só este início de filme eu já considero
uma pérola e o grande momento da história dos filmes de terror, mas ainda tem
muito mais...
Já foi dito que Dario Argento é um esteta e roda seus filmes
como um pintor usa as cores para criar uma tela, sua parceria com o Goblin por
exemplo retrata bem isso:
a banda compõe primeiro a música só com o script e sem as
imagens rodadas, se for preciso o diretor encaixa então as imagens na trilha
sonora. Nunca o contrário.
Após Suzy chegar à escola algumas alunas lhe relatam sobre
práticas de bruxarias naquela instituição e, para confirmar isso, aos poucos
alguns assassinatos vão ocorrendo. De clima sufocante, com explosão rubra por
todo o lado, o efeito narcotizante de algumas cenas faz com que a gente até
esqueça da trama e comece a prestar atenção nos detalhes do figurino e da
arquitetura em prejuízo a historia contada.
Tempestades, trovões, garota correndo enlouquecida pela
floresta, dão o tom de um filme meio barroco e de estética sensacional. Dario
Argento, em entrevista sobre o filme, disse que o objetivo de “Suspiria” era
mostrar histórias de bruxas filtradas pelos olhos inocentes de uma criança.
A bruxa no caso aparece bem pouco e pra ser sincero a trama
é um pouco confusa. Mas a overdose climática a sensação a todo instante de que
algo importante vai acontecer, os finais falsos e a atuação monumental da
subestimada Jéssica Harper , mostra que estamos diante de uma sinfonia em forma
de filme. Recomendadíssimo.
Bloody !
*****Ótimo
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