sábado, 19 de abril de 2014

Chic – C’est Chic
O ano de 1977 para o baixista Bernard Edwards e para o guitarrista Nile Rodgers foi um ano para se emoldurar num quadro. Depois de um tempo desperdiçado nos estúdios tentando transformar chumbo em ouro e atirando para todos os lados do leque aberto pela disco music, eis que conseguem imortalizar o groove de “Everybody Dance” e “Dance Dance Dance”em algumas tapes de gravação.
Após o semi-milagre, refizeram todas as músicas (abandonando várias delas) e se nortearam pelo caminho aberto pelos dois hits arrasa-quarteirão. Lançado pela primeira vez pelo selo Buddah Records, o Chic estava, em 1977 para a cena disco da época, como uma cereja para um bolo confeitado. Era a banda mais comentada e tocada nos night clubes  a ponto da superstar Grace Jones exigi-los como produtores do seu próximo álbum.
Mas o que tinha “Ces’t Chic” de tão especial ? Alguém poderia lembrar da produção cristalina, dos vocais com phaser, da bateria orgânica e mostruosa de Tony Phillips, dos backing angelicais. Certamente “Ces’t Chic” resume toda a cena disco music em um único álbum pois reune estes predicados aí de cima com a energia incomum. Era a banda certa no momento certo.
Estima-se que, entre singles e álbuns foram vendidos algo como 6 milhões de cópias.

Freak Out , Le Freak, Ces’t Chic !!!
Janis Joplin
Nunca um título traduziu tão bem o conteudo de um álbum. “Pearl” , de 1971, é o álbum que traz os arrasa-quarteirões “Mercedez-Benz”, “Be and Bobby McGhee” e “Cry Baby”. Mas não há um único segundo perdido neste disco.
Joplin  transmite uma dor, paixão desesperada, carência afetiva e um caledoscópio de sentimentos em  rocks poderosos , blues pescados nas trevas e baladas lacrimejantes. Foi o último disco gravado por ela e fica a pergunta: o que mais estaria por vir desta magnífica cantora dos anos 1960 ?
“Be and Bobby McGhee” virou no Brasil campanha do jeans U.S.Top. A chamada publictária falava algo como “Vista por fora o que você sente por dentro” e enquanto isso um casalzinho se abraçava em torno de uma fogueira.

Necrofilia bicho-grilo de publictários brasileiros. Ah, depois veio a história do Serguei…
Linda Ronstadt
“Heart Like a Wheel” (1974) é a libertação de Linda  Ronstadt. Foi seu quinto álbum solo e seu último de estúdio para a Capitol Records. No cumprimento do seu contrato, Ronstadt devia para a  Capitol mais um álbum e, para realiza-lo, trouxe o produtor Peter Asher (que trabalhou com ela em “Don't Cry Now”) e o  multi-instrumentista e arranjador Andrew Gold. Asher e Gold foram creditados ao longo dos anos como sendo uma parte do sucesso deste álbum.
O resultado - um mix mais refinado e simplificado da vida nos EUA radiografado em country rock sereno.Com menos folk tradicional e uma notada guinada para o som mais comercial, este álbum provou a verve artística de Linda. O disco, certamente um dos três melhores de sua brilhante carreira, chegou ao No. 1 na parada de álbuns da Billboard, atingindo o topo  em 15 de fevereiro de 1975. Nesta ocasião apareceu pela primeira vez na capa da revista Rolling Stone. O lado B do single de "You're No Good", um cover de Hank Williams, "I Can't Help It (If I'm Still in Love With You)",  traz participações vocais da ótima  Emmylou Harris.

Uma foto colorida do Oeste americano.
MP3 FAST REVIEWS – CD 139

Amália Rodrigues – Ao Vivo no Café Luso (1952)
Álbum duplo gravado em 25 de abril de 1952. A versão vinil fazia o disco abrir de lado e continha um livreto com fotos e história do concerto. Tudo de importante que ela havia gravado até então estão neste brilhante disco ao vivo.

Amália Rodrigues – Estranha Forma de Vida
Coletânea da cantora portuguesa com a ótima faixa título, quase um brasão representando o que é o fado, com voz apaixonada, violões bem tocados e instrumental fino. Um ótimo cartão de visita para conhecermos a obra desta importante artista.

Billboard Top 100 Hits (1983)
As 100 mais do ano de 1983 apuradas pela revista Billboard. Foi o ano do ótimo: “Synchronicity” do The Police em primeiro lugar , além de Michael Jackson, Lionel Richie e Bonnie Tyler. Foi um ano excelente para o pop rock e não há uma única música ruim na relação. Coube em 6 CD-Rs.

1.    Every Breath You Take - The Police
2.    Flashdance - Irene Cara
3.    Say, Say, Say - Paul McCartney & Michael Jackson
4.    Billie Jean - Michael Jackson
5.    All Night Long (All Night) - Lionel Richie
6.    Total Eclipse Of The Heart - Bonnie Tyler
7.    Beat It - Michael Jackson
8.    Down Under - Men At Work
9.    Islands In The Stream - Kenny Rogers & Dolly Parton
10.  Shame On The Moon - Bob Seger & The Silver Bullet Band
11.  Baby Come To Me - Patty Austin w/ James Ingram
12.  Maniac - Michael Sembello
13.  You And I - Eddie Rabbitt w/ Crystal Gayle
14.  Sweet Dreams (Are Made Of This) - Eurythmics
15.  Sexual Healing - Marvin Gaye
16.  Say It Isn't So - Daryl Hall & John Oates
17.  She Works Hard For The Money - Donna Summer
18.  Uptown Girl - Billy Joel
19.  Africa - Toto
20.  Tell Her About It - Billy Joel
21.  Do You Really Want To Hurt Me - Culture Club
22.  Hungry Like The Wolf - Duran Duran
23.  Making Love Out OF Nothing At All - Air Supply
24.  Let's Dance - David Bowie
25.  Never Gonna Let You Go - Sergio Mendes
26.  Come On Eileen - Dexy's Midnight Runners
27.  You Are - Lionel Richie
28.  Seperate Ways (Worlds Apart) - Journey
29.  Electric Avenue - Eddy Grant
30.  Time (Clock Of The Heart) - Culture Club
31.  The Safety Dance - Men Without Hats
32.  Jeopardy - Greg Kihn Band
33.  Mr. Roboto - Styx
34.  Love Is A Battlefield - Pat Benatar
35.  You Can't Hurry Love - Phil Collins
36.  The Girl Is Mine - Michael Jackson & Paul McCartney
37.  Dirty Laundry - Don Henley
38.  Der Kommissar - After The Fire
39.  We've Got Tonight - Kenny Rogers & Sheena Easton
40.  Little Red Corvette - Prince
41.  Overkill - Men At Work
42.  Union Of The Snake - Duran Duran
43.  She Blinded Me With Science - Thomas Dolby
44.  Cum On Feel The Noize - Quiet Riot
45.  True - Spandau Ballet
46.  Goody Two Shoes - Adam Ant
47.  Puttin' On The Ritz - Taco
48.  Stray Cat Strut - Stray Cats
49.  One Thing Leads To Another - The Fixx
50.  Stand Back - Stevie Nicks
51.  Back On The Chain Gang - Pretenders
52.  One On One - Daryl Hall & John Oates
53.  Rock The Casbah - The Clash
54.  Don't Let It End - Styx
55.  (Keep Feeling) Fascination - Human League
56.  The Other Guy - Little River Band
57.  All Right - Christopher Cross
58.  Heart To Heart - Kenny Loggins
59.  King Of Pain - The Police
60.  Wanna Be Startin' Somethin' - Michael Jackson
61.  Is There Something I Should Know - Duran Duran
62.  Allentown - Billy Joel
63.  Affair Of The Heart - Rick Springfield
64.  Too Shy - Kajagoogoo
65.  Telefone (Long Distance Love Affair) - Sheena Easton
66.  Heartbreaker - Dionne Warwick
67.  Church Of The Poison Mind - Culture Club
68.  Suddenly Last Summer - The Motels
69.  Twilight Zone - Golden Earring
70.  (She's) Sexy + 17 - Stray Cats
71.  It's A Mistake - Men At Work
72.  Delirious - Prince
73.  Solitare - Laura Branigan
74.  Come Dancing - The Kinks
75.  Our House - Madness
76.  Family Man - Daryl Hall & John Oates
77.  Human Nature - Michael Jackson
78.  I'll Tumble 4 Ya - Culture Club
79.  Heart And Soul - Huey Lewis & The News
80.  Crumblin' Down - John Cougar Mellencamp
81.  Don't Cry - Asia
82.  I Won't Hold You Back - Toto
83.  Promises, Priomises - Naked Eyes
84.  She's A Beauty - The Tubes
85.  Tonight, I Celebrate My Love - Peabo Bryson & Roberta Flack
86.  I'm Still Standing - Elton John
87.  Hot Girls In Love - Loverboy
88.  Lawyers In Love - Jackson Browne
89.  How Am I Supposed To Live Without You - Laura Branigan
90.  The Look Of Love (Part One) - ABC
91.  My Love - Lionel Richie
92.  Take Me To Heart - Quarterflash
93.  Always Something There To Remind Me - Naked Eyes
94.  Faithfully - Journey
95.  I Know There's Something Going On - Frida
96.  Far From Over - Frank Stallone
97.  China Girl - David Bowie
98.  Burning Down The House - Talking Heads
99.  Why Me? - Irene Cara
100. Your Love Is Driving Me Crazy - Sammy Hagar

Geraldo Vandré – Convite Para Ouvir (1967)

Datadíssimo disco gravado em 1967 do menestrel comunista Geraldo Vandré que sonhava derrubar o governo militar com chatíssimas canções como “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores” e outros hinos esquerdistas. Ouvindo a lírica do Vandré se descobre porque todo mundo na época preferia o Simonal... De toda forma um álbum com influencias do cancioneiro chileno e com alguns sambas do Baden Powell. Só para iniciados.
Modernidade demais ou culto ao terrorismo ?
Há muito tempo desisti da MTV Brasil. Vez ou outra fico zapeando em busca do Hermes e Renato a única coisa de algum valor que eu ainda encontro por lá.  Ontem, assistindo o canal me deparo  com um videoclipe da banda Sonic Youth chamado “Sacred Trickster”.
O mesmo começa com imagem de VHS caseiro e mostra três garotas se maquiando e saindo para  a rua com bolsas cheias de explosivos. Elas acabam  indo até  uma conferência cheia de figurões e ali, durante um coquetel “esquecem” as sacolas.
Uma explosão ocorre, todo mundo com tinta na cara e as três moçoilas felizes e dançando pelas ruas comemorando o atentado.
Olha, a idéia nem é tão original assim já que o video remete a  um outro da Bjork (este sim criativo e inovador) e demonstra o desespero de uma banda que nunca chegou ao topo de nada e agora busca jogadas marqueteiras de efeito para chamar atenção. É em última análise um desrespeito às 2993 pessoas que morreram no 11 de Setembro…
Imaginem o tamanho do barulho se alguma banda de rock brasileira  decidisse filmar um videoclipe em Angra dos Reis onde no final deste muitos morreriam soterrados ?

Detalhe para o poster do Mao na parede o que explica muita coisa…
Oliver Messiaen

O compositor e organista francês Oliver Messiaen estudou com esmero música clássica nas décadas 1920 e 1930. Mas, quando desabrocharia sua carreira de compositor e possível maestro a II Guerra Mundial eclodiu e Messiaen foi feito prisioneiro de guerra. Enquanto estava preso compôs o “Quarteto para o Fim dos Tempos”, sua obra mais famosa, utilizando os únicos quatro instrumentos disponíveis: piano, violino, violancelo e clarinete. A obra foi estreada por Messiaen e seus amigos prisioneiros perante uma audiência de outros presos e oficiais da Gestapo. Ao sair da prisão em 1941 foi nomeado professor de música e composição no Conservatório de Paris. Morreu em 1978.
Emmylou Harris
Vindo após uma sequência de discos obscuros e difíceis “ Pieces of the Sky”  foi o álbum que realmente lançou a carreira de Emmylou Harris, e é amplamente considerado como sua estréia. Naqueles anos  ela forjou uma relação musical com o falecido Gram Parsons que iria alterar para sempre a direção musical que sua carreira iria tomar. O álbum inclui seu primeiro hit na  “Billboard : "If I Could Only Win Your Love", e ainda colocou entre os 80 mais “Too Far Gone" (originalmente um hit de 1967  de Tammy Wynette). O repertório do álbum passeia por diversos estilos da country music indo até o soft  e mostrou desde cedo como gosto musical de Harris estava eclético naquela década. Além de sua canção "Boulder to Birmingham" (escrita por ela para o ex-parceiro  Gram Parsons, que havia morrido no ano anterior),o disco  incluía o som de  Merle Haggard no clássico "Bottle Let Me Down", dos Beatles "For No One".

Harris, Linda e Parton. As divas da country music americana.

MP3 FAST REVIEWS – CD 51

Astrud Gilberto – Jazz Master 9 (1994) / Jazz Round Midnight (1996) / Look To The Rainbow (1966)
Duas coletâneas e uma discoteca básica da Bossa Nova. “Jazz Master 9”, como o próprio título indica, é o nono volume de uma série de coletâneas e tem 16 músicas. “Jazz Round Midnight” de 1996, completa de certa forma a coletânea anterior ao focar apenas em músicas cantadas em inglês pela cantora. Já “Look To The Rainbow”, um dos grandes álbuns daquele ano, tem arranjos de Gil Evans e Al Cohn, guitarra de Kenny Burrell, bateria de Grady Tate e produção caprichosa dos discos de Creed Taylor. Fique com este.

Carlos Lyra – Depois do Carnaval (1963)
Relançado em 2007 em CD no Japão pela Universal, “Depois do Carnaval” é o quarto disco do cantor recheado de parcerias com Ronaldo Boscoli, Geraldo Vandré e Nelson Lins e Barros. Não antecipa a revolução dos trabalhos de João Gilberto nem se destaca pela inventividade dos trios de Bossa do período. Carlos Lyra demoraria ainda quatro anos (1967) para realmente assinalar o primeiro disco relevante de sua ótima carreira.

Marcos Valle – Escape (2001)
Marcos Valle produz neste “Escape” a bossa estilizada para pistas de dança que tanto encantou formações como Matt Bianco e Incognito nas décadas anteriores. É aquele som tradicional com uma roupagem e (mixagem) mais moderna trazendo nítida acentuação no som da bateria. Destaque para a faixa título e para “Lost in Tokyo Subway” retratos fiéis da nova bossa nova, como ficou batizada esta fase do artista.

Bangles – Greatest Hits (1990)
Banda angelena da safra 1980 que tomou as paradas com os chicletes “Walk Like na Egyptian” e “Manic Monday” (esta assinada pelo Prince), as Bangles formaram ao lado do Til Tuesday e do Fuzzbox a trinca de melhores bandas de garotas daquele tempo. Mas, este, foi cruel com elas e o pop das meninas já soa datado...

Black Box Recorder – The Facts of Life (2000)

Instrumental estéril , vocais distantes e tristeza estudada em canções lentas falando sobre a angústia de viver num país de primeiro mundo onde tudo o que restam são desilusões amorosas , acidentes de carro e tentativas de suicídio. Se o tema parece deprê, o som plácido e bonito surpreende até quem não é muito avesso a modernidades. Um belo disco da safra de 2000 do rock europeu. O grupo conta com John Moore (ex-Jesus and The Mary Chain).
MP3 FAST REVIEWS – CD 58

Janes Addiction – Strays (2003)
Responsáveis pela construção de um dos melhores álbuns dos anos 1990, “Ritual De Lo Habitual”, Perry Farrell e o Janes Addiction nunca mais conseguiram manter o nível (alto) de sua produção musical. “Nothing Shocking” (a estréia) fez com que se destacassem do meio de dezenas de bandas de hard rock , “Ritual”  os elevou para um patamar superior (para uma espécie de estrelato) fruto de videoclipes formidaveis martelados infinitamente pela MTV naquela década, já “Strays” repisa, com anos de atraso, as formas místicas e descartáveis de álbuns como “Good God’s Urge” do não menos irrelevante Porno For Pyros. De toda forma se salvam a voz de Pato Donald do Perry e a guitarra estilosa do Dave Navarro (mente e coração da banda).

Katatonia – Viva Emptiness (2003)
Provavelmente o melhor disco de heavy metal de 2003, “Viva Emptiness” confirma toda a genialidade e competência dos reis do doom sueco e da arte de trovejar com guitarras. Com uma complexa e intrincada estrutura melódica o disco (único em seu estilo) apresenta aquele som típico do Katatonia só que desta vez com contrabaixos mais pulsantes e bateria pesadíssima como manda o gênero. Não há adjetivos para descrever esta jóia metálica. Fique com o trator desgovernado de “Will I Arrive” , ou a hecatombe nuclear de “Ghost of The Sun”. Recomendadíssimo.

Mobb Deep – Infamy (2001)
Não tem a força dos álbuns de Jay-Z nem o ritmo do rap de Nas, porém Mob Deep teve seu quinhão de influência e importância no longuinquo ano de 2001 e de lá para cá viu sua mensagem perder a importância e suas vendas despencarem. Para fãs do hip hop eles sempre serão lembrados por “Infamous” (de 1995) o disco que continha “Eye for Eye”. Mas não é um trabalho de todo ruim...

Tangerine Dream – 220 Volt Live (1993)
Gravado ao vivo numa turnê pela América do Norte, “220 Volt Live” traz o brilhante Edgar Froese já meio cansado e auxiliado pelo filho Jerome recém admitido no Tangerine Dream. Muito, mas coloque muito nisso..., longe de obras primas como “Zeit”, “Rubycon” ou “Phaedra”, “220” dá uma atualizada desnecessária no rock progressivo dos alemães que acaba decepcionando os fãs antigos e não consegue conquistar os novos.

Zona Punk Compilation – Volume 3 (2001)
Coletânea com 50 bandas de punk rock baixada no site http://www.zonapunk.com.br/ mostrando mais do mesmo da produção roqueira das bandas brasileiras do estilo onde as melhores são o Ação Direta, o Nitrominds e o Pelebroi Não Sei. Não vai mudar sua vida. Apenas para fãs ardorosos do estilo.


Cotidiano sufocante e tristeza estilizada no texto de Luiz Ruffato
Eles Eram Muitos Cavalos
Editora Boitempo (2001)
Encontrei algumas vezes o Ruffato pelos corredores do Estadão. Ele andava muito com meu colega de faculdade o Fernando Fernandes. Sempre quietão e monossilábico, mal desconfiava que aquele rapaz de poucas palavras era na verdade um escritor brilhante fato que só me dei conta quando descobri alguns anos atrás o formidável “Eles Eram Muitos Cavalos”.
O livro, curto e grosso vai direto ao ponto desvendando as nuances da alma humana. Miséria e desencanto se chocam com um finíssimo humor negro , onde descrições minuciosas de coisas e pessoas vão dando um toque decadentista e verossímel às histórias.
Inovador na forma e conteúdo, qualquer ato (como uma pessoa fervendo uma caneca de leite ou o escapamento aberto de um motocicleta) vira assunto a ser observado, assinalado e posteriormente falsamente descartado. O “falsamente” é porque uma anotação periférica e aparentemente desimportante revela-se crucial algumas páginas depois. A história se desenrola em 7 de maio de 2000 em São Paulo.
Ruffato é sem sombra de dúvida a maior revelação da literatura brasileira nestes últimos anos. Sua produção mais recente conta com a série Inferno Provisório, projetada em cinco volumes. Já saíram “Mamma, Son Tanto Felice”, “O Mundo Inimigo”, “Vista Parcial da Noite” e “O Livro das Impossibilidades”.

Sonho, corrupção, oportunismos e medo num único livro. Obrigatório.
Elton John 
 “Goodbye Yellow Brick Road” (de 1973) foi o álbum onde a personalidade de Elton John começou a ganhar  mais atenção que sua música. Como o disco chegou ao topo das paradas e estacionou por lá por oito semanas consecutivas o mundo lhe rendeu tributo e admiração. Em muitos aspectos, o álbum duplo resume a primeira fase da carreira do inglês reafirmando todos os estilos e sons que o transformaram numa estrela. Logo no início começa um prog rock “Funeral for a Friend” e é imediatamente sucedido pela hit balada “Candle in The Wind”. Seguem se as ótimas “Bennie and The Jets”, a fundamental “Goodbye Yellow Brick Road” que batiza o álbum e a chacoalhante “Saturday Night1s Alright for Fighting”.

O velho Reginald domina a arte da canção como poucos. Glam pop de primeira.
MP3 FAST REVIEWS – CD 214 

Charlotte Gainsbourg – 555 (2006)
Charlotte, filha de Serge Gainsbourg, lança seu primeiro álbum solo depois de adulta (ela havia gravado o disco de estréia aos 13 anos sem nenhum brilho). Com auxílio de um integrante do Air e do badalado Jarvis Cocker, ela conseguiu imprimir um acento nostálgico e moderno ao mesmo tempo neste ótimo disco de pop music. Sua voz de aeromoça na canção “AF607105” já pode ser considerada um dos grandes momentos da música no ano de 2006.

Comets on Fire – Blue Cathedral (2004)
A imprensa gringa na pressa em rotular o Comets on Fire disse que a banda era um misto de Hawkwind com MC5. Bem, para parecer o Hawkwind os membros desta banda deveriam saber tocar seus instrumentos o que eles não conseguem muito bem. Assim eles se parecem apenas com o MC5 (e nos piores momentos). De toda forma, lascam uns pianos e saxofones nada a ver no meio das músicas resultando numa espécie de de Tortoise. Só que mais chato.

DJ Marlboro – Bem Funk (2006)
Coletânea de sucessos do funk carioca com os grudentos MC Leozinho, MC Buchecha, Tati Quebra Barraco e outros MCs. O som primitivo e bate estaca de sempre com o Marlboro nas picapes. Tem o hit “Tremendo Vacilão” da funkeira evangélica Perlla e canções com os títulos “Gordurosa”, “Pegadão” e outras pérolas. No total são 26 faixas  que já vão te deixando  nervoso lá pela quarta música...

Tomita – Bach Fantasy (1996)
Olha se isso pode ser ruim: O disco tem um agradecimento à “Switched On Bach” de Walter Carlos como inspiração. Foi tocado com Moog III e Moog 55. Entre as faixas aparecem uns corais femininos semelhantes ao “The Great Gig In The Sky” do Pink Floyd e traz versões eletrônicas para “Ave Maria”, “Jesus Alegria dos Homens” e “Toccata e Fuga”. Nos momentos onde o coral entra existe uma intervenção modal que vai sobrepondo as melodias uma sobre a outra. Mais uma jóia cravada pelo sempre ótimo Tomita.

Harmonia e Brian Eno - Tracks & Traces (1976)
Gravado em 1976 mas só lançado, por problemas contratuais, em 1996, esta polaróide do que chamamos de ambient music explica porque David Bowie escolheu Brian Eno para a tal Trilogia de Berlim. Em parceria com o revolucionário Harmonia, um dos principais grupos do krautrock, “Tracks & Traces” vai enfilierando os truques e sacadas do ex-Roxy Music em fragmentos e colagens que se encaixam perfeitamente no som meio jazz dos alemães. Loops de teclados, baterias lentas e texturas inovadoras. Destaque para os 15 minutos de “Sometimes in Autumn”.

MC Leozinho - Se Ela Dança Eu Danço (2006)
Leonardo Freitas Mangeli sempre rodeou o sucesso. Até poucos anos atrás ele trabalhava como chapeiro na padaria Século 20, que fica em frente à sede da Rede Globo. Hoje, (depois do hit de sucesso “Ela Só Pensa em Beijar”), Leonardo atende agora por MC Leozinho e integra um reality show na Record e participa de duetos com Roberto Carlos. Mas, aguardemos os próximos passos do MC para ver se tudo não passa de um fogo de palha...
T.Rex 
O álbum que, essencialmente, iniciou a onda glam na Inglaterra, “Electric Warrior” de 1971 marca também a transformação de hippies rurais e cósmicos em super-heróis da glamania ou proto drag-queens. Marc Bolan, mentor e líder do T.Rex encontrou uma forma cativante de rock’n’roll simples e direto com refrões grudentos que só o heavy metal conseguiria forjar novamente uns 10 anos depois. Balanço, ritmo, instrumental econômico este guerreiro élétrico traz ainda os hits “Jeepster” e “Cosmic Dancer”. Só pelas duas músicas o álbum já garantiria uma espécie de imortalidade mas Bolan ainda nos brinda com a acachapante “Bang a Gong (GeIt On) que nos nocauteia já nos primeiros segundos. Bolan morreu em 1977 num desastre automobilístico. 

O Power Station fez uma cover desta canção, em 1985, no seu projeto que reunia dois Duran-Durans com o crooner Robert Palmer.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

MP3 Fast Reviews  – CD 173

Amanda Lear – I’m a Photograph (1977)
Cantora, compositora, modelo e musa de Salvador Dali , Amanda Lear virou notícia e ganhou notoriedade ao aparecer na capa de um disco do Roxy Music em 1973 vestida com roupa fetichista. A coisa pegou fogo quando, semanas depois do lançamento, ela declarou na revista Interview (orientada pelo amigo David Bowie, seu mentor artístico) de que era uma transexual (algo nunca provado). Assim, com muita mídia e barulho, esta avó espiritual de Lady Gaga lançou este álbum clássico da disco music. “I’m a Photograph” gravado na Alemanha e produzido por Tony Monn trazia a voz Marlene Dietrich de Amanda em meio às cascatas de violinos e melodias cativantes. O intrigante é que a voz da cantora tem mesmo um quê de masculina dando um tom exótico ao resultado final. Disco obrigatório.
Art – Supernatural Fairy Tales (1967)
Art foi um grupo britânico de rock psicodélico que imortalizou uma única e definitiva gema no ano de 1967 chamado “Historias Sobrenaturais de Contos de Fadas”. Meio parecido com o Spooky Tooth e com momentos de soul e blues este disco tem tudo o que caracterizou o som dos 1960’s: microfonia, mellotrons, farfisas e muito fuzzy. Art é uma espécie de reposta britânica a grupos americanos como o The Seeds. Lançado em CD pela Edsel Records.
Boston – Third Stage (1986)
Após o bom segundo álbum “Don’t Look Back” o Boston conseguiu demorar oito anos para gravar este terceiro e definitivo trabalho com o mesmo tipo de som dos anteriores mas com produção melhor. A faixa “Amanda” mistura guitarras elétricas com acústicas e vocais de apuro operístico; o som do trabalho impressiona e define o que conhecemos como rock de arena. O interessante é que mesmo com a pegada meio hard prog o disco é acessível e legal.
Menudo – Explosion (1984) / Refrescante (1986) / Sombras y Figuras (1988)
Grupo portorriquenho de laboratório que fez um sucesso colossal na década de 1980 a ponto de espalhar a menudomania mundo afora. No Brasil os grupos Polegar e Dominó são conseqüências diretas da superexposição que o Menudo teve nas TVs brasileiras. A jogada não poderia ser mais bem sacada: moleques bonitinhos que ao completarem 18 anos tinham que obrigatoriamente sair da banda para a entrada de outro pirralho. Robi Drago Rosa e Rick Martin pertenceram ao grupo. Nesta trinca de álbuns um pequeno destaque para “Explosion” de 1984 o último disco deles com algum valor. Os melhores trabalhos dos moleques ainda são “Reaching Out” e “Evolucion”.
Rick Wakeman – Lisztomania (1976)
Trilha sonora para o filme do maluco Ken Russell, o mesmo de Tommy, que bolou para as telas uma biografia do compositor Liszt. Só que como todos os filmes de Russell o que não falta é doidice: nazistas, bailarinas, ETs e misturas de estilos e épocas. Só mesmo o virtuoso e pretensioso Rick Wakeman para dar conta de tamanho recado. Tecladeira over com momentos brilhantes.
Rufus and Chaka Khan – Masterjam (1979)
Vindo de um fiasco em 1978, e deixando passar várias oportunidades para estourar, Rufus and Chaka Khan chamaram o maestro Quincy Jones para produzir este irretocável “Masterjam” de 1979. O estilo do amigo do Michael Jackson se faz sentir em todas as faixas mas nem por isso o disco perde o valor. O destaque sempre é a Chaka. Quando ela solta seu vozeirão de diva funk qualquer excesso vira detalhe e o que nos conquistas é o balanço estiloso do grupo. Como curiosidade temos o fato do Quincy não ter se agüentado e cravado uma cover dele mesmo “Body Heat”. Resumo da história: o disco deveria se chamar “Rufus and Chaka Khan and Quincy Jones”.
Inter, 1979
Paulo Roberto Falcão, provavelmente um dos 20 maiores futebolistas de todos os tempos, acaba de lançar o livro “O Time que Nunca Perdeu” sobre a saga do time do Internacional de 1979, único campeão brasileiro invicto.

O livro da editora AGE, tem 117 páginas e comentários e ficha técnica de cada jogo.  Quem assistiu o Inter nos anos 1970 sabe que, ao lado do Cruzeiro de 1976 e do Palmeiras de 1973 , o time era uma máquina de jogar bola…
Phil Spector – A Christmas Gift For You
 “Phil Spector Christmas Gift To You”, disco natalino gravado em 1963, confirmou o talento de produtor de Phil Spector ( o inventor da “wall of sound”). Manipulador de microfonias, artesão da sobreposição de vozes, ele fazia do trabalho de gravar e produzir músicas uma verdadeira arte do estúdio.
Orientou e gravou com girls groups como as Ronnetes e bandas teenagers de pouca relevância. No momento está em cana pelo assassinato de uma mulher. Ele foi condenado a 19 anos de prisão.

Está portanto, preso em quatro paredes; mas não são paredes de som…
Beck - Odelay

Ao contrário de “Stereopathetic Soul Manure” e “One Foot in the Grave”, álbuns de estética indie que sucederam a estrondosa estréia de “Mellow Gold” (inspiradíssimo disco debut com a bomba atômica “Looser”), este “Odelay” veio em poucos meses após os dois aí em cima. Assim, em 1996 haviam quatro álbuns do cantor Beck Hansen disponível nas lojas do mundo inteiro. “Odelay” se destaca por uma produção mais cristalina e a reunião dos melhores momentos dos outros três álbuns. A produção meticulosa dos Dust Brothers é responsável pelo sucesso de público e crítica que alavancou Beck ao estrelato. “Devil’s Haircut” a faixa de abertura tem umas paradinhas sensacionais além de vocal narrativo, quase um rap-country. No mosaico engendrado pelo cantor vale um pouco de tudo: country, pop, soul padrão stax e rock garageiro que em nenhum momento soa forçado ou deslocado. Certamente foi seu canto de cisne (uma vez que os discos posteriores padecem de uma ausência de combustão e apesar das belíssimas roupagens não empolgam como estes discos do início da carreira). De toda forma fica a herança de um quarteto de álbuns bacanas e atemporais.
Dusty Springfield – Dusty in Memphis
Este álbum foi concebido e gravado com a ajuda de alguns dos melhores músicos de Memphis . O material ,escrito para a Dusty, foi encomendado para Jerry Goffin , Carole King, Randy Newman,  Barry Mann e Cynthia Weil. Dusty Springfield, que não era uma cantora de soul , tem que se virar com sua voz pequena para imprimir a emoção necessária em diversas canções de amor. Este álbum não mudará sua vida mas vai deixa-la mas feliz, uma vez que os três hits que ele contem “Don’t Forget About Me” com um arranjo musical delicado e ao mesmo tempo suingante, “The Windmills of Your Mind” usada como trilha sonora em diversos filmes da década de 1970 e finalmente a maravilha “Son of a Preacher Man” já estão imortalizados no que de melhor o pop americano dos 1960’s produziu.
Dusty foi de certa forma resgatada quando Quentin Tarantino sonorizou a cena em que John Travolta e Uma Thurman dançam em “Pulp Fiction”.

“Dusty in Memphis”: o retrato de uma busca da cantora pop por novas paisagens musicais. Essa pepita foi descavada em 1969.
The Beatles – Sgt.Peppers Lonely Heart Club Band
O que mais dizer sobre John, Paul, George e Ringo que já não tenha sido falado ? Qualquer espirro dos “Quatro de Liverpool” foi filmado, fotografado, gravado, estudado, debatido, copiado e refletido à exaustão quase religiosa. Aliás costumo dizer que os Beatles nunca foram uma banda de rock e sim uma espécie de seita. Só se dobrando ao sobrenatural para entender este casamento quádruplo de talentos tão heterogêneos e brilhantes. “Sgt Peppers…” ocupa desde 1967 a preferência de críticos do mundo inteiro não apenas como o melhor trabalho dos Beatles , mas de todo o rock.

Em A Day In The Life,  música de encerramento do álbum, temos  uma canção do Lennon ganhando um trecho do McCartney e sendo finalmente acrescida de orquestração e montagem no estúdio. Um dos momentos mais belos não só do rock mas de toda a saga humana no planeta. Foi lançado em 1967. Uma época em que gigantes andavam sobre a Terra…
Solilóquio
Amor com amor se paga. Se paga ?
Mas se paga continua sendo amor ?
Ela era pequenininha… Sei, mas olha o tamanhão dela !
Amar eternamente. Amar é ter na mente. Amar éter na mente.
Toda vez que vejo uma garota bonita me ocorre um  lapso momentâneo da razão.

Arrisco um passo e num segundo já estou em outro lugar.
Kiss (1982) - Creatures of the Night
Lançado em 1982, “Creatures of The Night” colocou um fim na onda disco music de “Love Gun” e nas pretensões conceituais e operísticas de “Music From The Elder” . Agora como uma autêntica banda de heavy metal, o Kiss se empenhava em fazer o que mais sabia: barulho com estilo. Este álbum de 1982 marca o renascimento da banda e marca o início da fase em que tirariam as máscaras. Turbinado com hinos roqueiros como “Killer”, “War Machine” e “I Love It Loud” (show do baterista Eric Carr) este disco garantiu a esperança para moleques de todas as latitudes já meio injuriados com o avanço da new wave e outros modismos. Vinnie Vincent substituiu o Ace Frehley em várias faixas deste álbum.
Lendas sobre o Kiss:

Essa banda é anti ecológica. Essa banda esmaga pintinhos com botas plataforma. Essa banda é satânica. Kiss é a tradução de “knights in satan service”. O baixista Gene Simmons fez um implante e trocou sua língua por uma  lingua de vaca. Eles bebem sangue. Essa banda misturou sangue de verdade nas tintas de um gibi selando um pacto demoníaco com quem comprasse o referido quadrinho. O Ace Frehley, guitarrista da banda, é extraterrestre. O baterista Peter Criss virou mendigo. O guitarrista Vinnie Vincent é parente, com laços de sangue, do faraó Tutankamon.  Eles ficaram anos sem tirar as maquiagens até que uma cirurgia plástica reconstituisse o rosto de todos eles (deformados com a química da tinta).
Arte da Capa – Manchetes do Notícias Populares
O Notícias Populares, também conhecido como NP, era um jornal do Grupo Folha que circulou em São Paulo entre 15 de outubro de 1963 e 20 de janeiro de 2001. Era conhecido pelas poéticas e delicadas manchetes e a pela grande  popularidade entre os trabalhadores e o homem comum. Como tinha poucas páginas dava para dobra-lo e guardar no bolso de trás das calças.
Foi o pioneiro na reforma gráfica que tomou o jornalismo nos anos 1990 com a fórmula textinho-fotona. O NP serviu assim como balão de ensaio para mudanças significativas que o Grupo Folha acabaria promovendo em seu principal produto: a Folha de S.Paulo.
Quando trabalhei na Folha, a redação do NP ficava exatamente do lado (com uma fina divisória dividindo) do Banco de  Dados no 5º andar. Pude ver por lá o Sergio Mallandro, Flôr, Sônia Lima, Pedro de Lara, Zé do Caixão, Maguila, Sula Miranda e Teddy Boy Marino entre outros.
Havia também um negócio chamado “garota da capa” (um espaço na parte inferior da capa do jornal, onde se publicava fotos de mulheres bonitas em trajes sumários).  Frequentemente as candidatas a “Miss NP” da semana apareciam por lá. Meu amigo… eram umas passistas de escola de samba de entortar o pescoço da galera. Meu colega de Banco de Dados, o velho sábio Silva, que já devia ter nascido com uns 70 anos de idade, tamanha a sapiência, providenciou um estratégico furinho na parede que dividia os dois departamentos e socializou com os colegas   as “sessões” fotográficas das meninas. Isso é que é memória afetiva hehe…
Causou furor e entrou para a crendice popular o personagem bebê-diabo que o jornal jurava existir e do qual conseguiu até umas fotos…
Algumas manchetes históricas:
"Bicha põe rosquinha no seguro"
"Aumento de merda na poupança"
"Broxa torra o pênis na tomada"
"A morte não usa calcinha"
"Churrasco de vagina no rodízio do sexo"
“Aluno é expulso por causa do chulé”
“Maradona bom de bola, ruim de taco”
“Padre extermina 15 diabos por domingo”
“Broxa torra o pênis na tomada”
“Malacos surpreendidos sairam berrando em lá maior”
“Violada no Teatro Municipal”
“Deu um barro e morreu”
“Kombi era motel na escolinha do sexo”
“Médico afirma: o bebê-diabo nasceu no ABC”
“Psicóloga pega na marra e violenta o indigente”
“Milene engravida na primeira bimbada”
“Angélica foge do hotel no meio do terremoto”
Van Morrison – Astral Weeks
Dor, beleza, reverência mística, encantamento com detalhes, namorada morta, pessoas lindas envelhecendo sem sentido por catatonismo emocional e natureza exuberante nos forçando a se locomover.
No instrumental: violas, violinos, violoncelos, banjo, bateria minimalista e planíces instrumentais de rara beleza. Uma peça de ourivesaria. Uma conversa de amigos que se falam com pequenos gestos e poucas palavras. Semanas astrais em 1968.
Jean-Michel Jarre - Oxygene
No momento em que nunca se falou tanto sobre ecologia eis um disco obrigatório. Gravado em 1976, o compositor francês já demonstrava medo e pessimismo acerca do futuro do planeta Terra. Na ocasião, a mais de 30 anos atrás, ele questionava a falta de ar respirável por conta da expansão automobilística e poluição generalizada. No quesito música uma overdose tecladeira que jamais resvala no mau gosto e que balizou o caminho para a nascente new age music. Jarre foi escolhido em 1977 pela revista “People” como a personalidade do ano. Seus shows são desafios multimidia com projeções em edifícios, uso de aviões, e parafernália eletrônica high-tech.

Um bonito momento da música eletrônica.
Presentes originais para o Dia das Crianças
Quer ver o filho fazendo sucesso entre os amiguinhos ? Quer bancar o pai descolado e antenado ? Pequenas sugestões para o 12 de outubro. Celulares, laptops, mp3, mp4 e videogames podem ser adquiridos nos outros 364 dias do ano...
Boneca da Mônica
Hoje uma peça de decoração, a boneca da Mônica, a primeira licenciada pela empresa Maurício de Sousa, vinha com um plástico duríssimo, fazendo com que a adorável dentuça resistisse a qualquer impacto: líquido, calor ou “tentativa de assassinato” ( aquela vontade mórbida das crianças em descobrir o que existe dentro das coisas).
Kikos Marinhos
é o nome comercial de minúsculos crustáceos que podiam ser cultivados em casa com o uso de kits de criação. Tornaram-se febre no Brasil nos anos 1970, vendidos em bancas e lojas de brinquedos. Os Kikos Marinhos foram relançados em 2006, pela Editora Papini em kits de criação incluídos com a revista em quadrinhos de mesmo nome.
Futebol de Botão
De plástico, acrílico, madrepérola ou de galalite, um clássico que atravessa décadas. O estreito estrelão pode ser improvisado em uma mesa plana de madeira, de preferência encerada. Eucatex é uma boa solução. Compre no mínimo quatro times e improvise um campeonato.
Pula-Pirata
Barrilzinho de plástico repleto de fendas onde os jogadores atravessam umas espadas. Ao acertar, a cada rodada muda o local estratégico, o piratinha do barril é ejetado e o sortudo vence a rodada.
Pega Vareta
Cilindro de papelão contendo dezenas de palitos coloridos. Os jogadores tem que buscar pegar o único palito preto que sempre (probabilidade matemática) está embaixo ou colado aos das outras cores. Assim, com o uso das mãos e de um outro palito ( que faz a função de uma pinça) pode se mover um palito por vez eliminando o competidor que esbarrar acidentalmente em outro durante a tentativa.
Forte Apache
Fortaleza de plástico ou madeira, com as guaritas de vigilância, bandeira, portão móvel, soldadinhos uniformizados, índios e cavalos. Você além de brincar acaba aprendendo por tabela a história da colonização norte-americana e a conquista do Oeste.
Geleca
Fabricado pela Asca Toys, Geleca ou Geléia de Amoeba é uma gosma gelatinosa, fria e inquebrável que pode causar sustos divertidos além de ser um belo adereço para o Halloween. Indicado apenas para crianças maiores de 5 anos, embora seja quase impossível come-la mesmo acidentalmente.
Falcon
Boneco para meninos, vulgo “hominhos”, Falcon, lançado por aqui em 1978, tinha roupa camuflada, barba com material similar ao dos cabelos das bonecas e possuía um infinito e a cada ano crescente, arsenal. Armas, roupas, jipes, helicópteros e lanchas constituiam o kit obrigatório para o boneco (uma autêntica versão masculina das bonecas Susi e Barbie).
Genius
Lançado pela Estrela em 1980, o brinquedo possuía quatro teclas coloridas que acendiam na exata sequência sugerida pela máquina. A cada rodada o brinquedo acrescentava um novo movimento e a velocidade da luz aumentava, tornando a missão de acompanhar o joguinho uma autêntica tarefa de gênio.
Autorama
Carrinhos movidos a controle remoto que corriam em pistas de plásticos e simulavam um verdadeiro Grand Prix. Quanto mais larga e maior a pista, mais divertida a brincadeira (já que caberiam mais carrinhos). O metro da pista era comprado à parte e a competição, entre dois ou mais pilotos, podia ser regulada por minutos ou números de voltas. Havia também uma linha de decalques para incrementar a carroceria e visual dos carrinhos.
Ferrorama
O preferido da molecada. Este, confesso, demorei décadas para ver funcionando.  Já tinha visto um igual  num filme francês dos anos 1960 mas assim não vale... Proibitivo nos anos 1980 pelo alto valor (mais que um salário mínimo na época) era o brinquedo mais comentado e menos aproveitado da minha geração...
War
Indicado para pré-adolescentes, adolescentes e até adultos. Este campeão da Grow lançado em 1972 teve um “upgrade” em 1981 quando inseriu aviões, novas cartas táticas e redesenhou o mapa onde os exércitos se enfrentavam. Até hoje goza de certa polêmica acusado de exercitar a violência (conquista do mundo) entre os competidores. O que é claro se trata de um exagero.
Detetive
“Eu acuso o Senhor Mostarda, na Sala de Estar, com o candelabro”. Um inteligente joguinho no melhor estilo dos livros policiais de Agatha Christie, na verdade um tabuleiro com as divisões de uma grande casa, onde os competidores deveriam descobrir quem é o assassino, qual a arma do crime e onde ele ocorreu. O uso de cartas e de umas pistas falsas que os jogadores lançavam pelo caminho tornavam o jogo divertido e misterioso.
Alguns destes ainda podem ser encontrados em lojas de brinquedos, outros na Rua 25 de Março, na região central de São Paulo e os mais antigos nos sites Mercado Livre e Ebay.